
O novo e moderno Ginásio de Sumô do Centro Cultural e Esportivo Brasil-Japão, no Bom Retiro (Zona Norte de São Paulo), recebeu nos dias 24 e 25 de julho, o 49º Campeonato Brasileiro de Sumô e o 13º Campeonato Brasileiro Feminino. A competição contou com a participação de cerca de 350 atletas, de diversas faixas etárias, incluindo delegações do Pará, Paraná e Rio Grande do Sul, que confirmou presença às vésperas da competição. Na ocasião, a Confederação Brasileira de Sumô (CBS) homenageou Iwao Motomura e Saburo Kuwabara com a entrega do 7º grau, o mais alto no país – para se ter uma idéia, apenas cinco mestres possuem esse grau honorífico. Também foram homenageados os atletas gaúchos Edson Dalmagro e Carlos Rauch, respectivamente, por 10 e 15 anos de dedicação ao sumô.
Foi o primeiro Campeonato Brasileiro realizado no local após as obras de reforma e ampliação – em março, o mesmo endereço sediou o 32º Campeonato Paulista Infanto-Juvenil. E, pelo jeito, atletas e dirigentes aprovaram a “nova casa”. “A comunidade do sumô agradece o emprenho do prefeito Gilberto Kassab cuja administração foi a que mais investiu em prol do desenvolvimento do sumô brasileiro”, destacou o presidente da CBS, Issao Kagohara. Segundo ele, trata-se de uma construção ímpar no mundo. “O Brasil passa a ser o único país do mundo, além do Japão, a contar com um ginásio de sumô construído por um órgão público em benefício da iniciativa privada”, explicou o dirigente.
A competição serviu para definir a equipe brasileira que disputará o Campeonato Mundial da Polônia, em outubro. No entanto,como já é de costume no sumô brasileiro, a participação só deve ser confirmada em cima da hora. A viagem dos atletas depende ainda da liberação de verba por parte do Ministério do Esporte. Como o Jornal Nippak revelou com exclusividade na edição anterior, a CBS está tentando solucionar uma “pendência” (leia-se prestação de contas) de 2007 para que o órgão libere o dinheiro.
Em todo caso, estão com passaportes prontos para serem carimbados: Luciana Watanabe (leve), Fernanda Rojas (médio), Jaqueline Silva (pesado) e Janaína Silva (absoluto); Tadashi Takakura (leve), Plínio Moura (médio), Júlio César Vieira (pesado) e Takahiro Higuchi (absoluto), além dos juniores Leonardo Naoyuki Nakamura, Diego Froner, Rui Aparecido de Sá Júnior e David de Moraes.
“Contagiados” pela nova arquitetura, os atletas protagonizaram lutas empolgantes no dohyo, que também mereceu um tratamento especial da CBS. Na disputa por equipes, Sudoeste, no masculino, e Paraná, no feminino, sagraramse campeões repetindo as conquistas obtidas em 2009. No masculino, Paraná ficou com a segunda colocação por equipes seguida por São Paulo e Grande ABC, respectivamente. Entre as mulheres, a briga foi mais apertada. Paraná ficou à frente da Sudoeste por uma diferença de apenas dois pontos na contagem geral. A disputa pela terceira colocação também foi acirrada entre Nova Central, que totalizou 17 pontos, e Norte, com 16.
Mundial – O equilíbrio também foi a tônica no torneio individual. No feminino, categoria adulto leve, Luciana Watanabe ficou em primeiro com Edineia Kitabayashi, de Santo Amaro, em segundo. Na categoria médio, Juliana Medeiros e Fernanda Rojas repetiram a final de 2009. Este ano, porém, Fernanda Rojas “deu o troco”. “No ano passado, perdi a final para ela, mas este ano procurei me esforçar ao máximo e graças a Deus deu tudo certo”, explicou Fernanda Rojas, afirmando que “já tinha algum tempo que estava perseguindo este título”. “Acho que a preparação física me ajudou bastante”, disse a atleta, lembrando que fez também condicionamento físico.
Sobre o Mundial, Fernanda foi categórica: “É começar do zero”. A atleta, de 31 anos e que começou a praticar em 2007, já acumula uma experiência internacional. “Participei do World Games, em Taiwan, e deu para sentir que o nível lá fora é bastante forte. Em alguns países, é possível viver somente do sumô, o que para nós é impossível”, disse Fernanda, que aposta no surgimento de novos valores. “Acho que esse ginásio incentivará os novos praticantes”, acredita ela, que no domingo levou amigos para conhecerem a “nova casa” dos sumotoris. “Eles ficaram encantado”, afirmou.
Entre irmãs – Na categoria pesado, a final foi mais uma vez “doméstica”. A exemplo de 2009, o duelo reuniu as irmãs Jaqueline Silva e Janaína Silva. Se no ano passado a irmã mais nova levou a melhor, desta vez foi Jaqueline que comemorou a vitória. “Se nós duas chegamos à final é porque nós duas treinamos muito, mas não tem essa de rivalidade nem de camaradagem. Ganhar ou perder é conseqüência”, discursou Jaqueline, que comemorou a vitória de Janaína na categoria absoluto.
Independente de o Brasil participar ou não do Campeonato Mundial, Jaqueline pretende, desde já, intensificar os treinos para a competição. “O importante é não ir despreparada”, conta a atleta, que ficou em quarto lugar no Mundial na Tailândia. “Com muito treino e bom preparo físico dá para chegar”, afirmou.
Entre os homens, o pesado Júlio César Vieira teve que superar uma série de adversidades para ficar em primeiro. Terceiro colocado em 2009 – foi campão em 2007 na categoria pesado e em 2008, na absoluto – Júlio César explicou que “ultimamente minha vida está atribulada”. “Valeu pela força de vontade, mas não estou treinando como gostaria em função dos estudos”, disse o atleta, que cursa atualmente o último ano do curso de Administração na FMU. “Agora, que venha o Mundial”, disse Vieira.
Texto e fotos: Aldo Shiguti